sábado, 17 de dezembro de 2011

Afinal, o que é homofobia?

Nas minhas recentes conversas com amigos próximos e colegas não tão próximos assim pude perceber uma coisa interessante. Existe uma forte ligação entre o termo “homofobia” e a violência física. Para ilustrar, uma vez perguntei a uma pessoa “você conhece alguém que tenha sido vítima de homofobia?” e a pessoa me respondeu “não. Só alguns xingamentos e olhares tortos”.


Com isso, pode-se notar que o assédio moral (ou violência simbólica) não é considerado tão grave. Isso pode ser devido à violência física ser a face mais visível e perversa da homofobia, uma vez que ela pode causar graves lesões e até mesmo matar um indivíduo.


No entanto, isso pode ser analisado a partir da naturalidade com que a discriminação é encarada pela sociedade – e isso inclui os homossexuais. Na hierarquia das sexualidades, a homossexualidade se encontra abaixo de todas. Isso se dá por uma série de razões históricas, culturais, sociais, psicológicas, teológicas, etc. que não serão discutidas nessa postagem.


Mas, para que dizer tudo isso?


O objetivo aqui é estimular a reflexão sobre como a discriminação age.
Assim, homofobia não é só um soco ou chute dado unicamente em razão da homossexualidade de um sujeito. Ela está presente nos olhares que reprovam, nas piadas e brincadeiras, nos xingamentos que ofendem, no tratamento desigual e em muitos outros acontecimentos cotidianos.


Apesar da violência física ser capaz de quebrar um braço, a violência simbólica é capaz de condenar um indivíduo a uma vida infeliz. E assim sendo, as duas são potencialmente perigosas.
Não se pode mais ignorar a desigualdade, só assim conseguiremos a efetivação da cidadania para os homossexuais!



REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS:

BORRILLO, Daniel. Homofobia - história e crítica de um preconceito. Belo Horizonte: Autêntica, 2010.

3 comentários:

  1. Em discussão do simbolismo, acho que o que influência muito, também é o aspecto familiar, a reprovação do meio de convivência. É interessante, mas você me conhece. rs

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  2. O que mais me entristece é perceber que o preconceito está tão enraizado/incrustado que as pessoas nem notam que são preconceituosas.

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  3. Muito bom vc tocar nesse ponto da violência simbólica... pois esta se faz passar muitas das vezes por coisas corriqueiras e acabamos por naturalizar este tipo de violência dando enfase apenas a violência física ou a sexual (que também possuem sua carga simbólica, mas em outros termos...enfim). Muito bom o seu texto!

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