terça-feira, 20 de dezembro de 2011

As vítimas da homofobia

É inegável que no Brasil os homossexuais têm conquistado direitos basilares para a efetivação de sua cidadania. No entanto, quanto mais visibilidade, maiores são reações daqueles que discordam de tais conquistas.

Neste sentido, as manifestações homofóbica têm se tornado cada vez mais frequentes no Brasil. Elencarei somente alguns casos, pois a busca por todos tomaria um enorme tempo e espaço no blog: militante do movimento LGBT é agredido na Rua Augusta em SPJovens são agredidos com lâmpadas na Avenida PaulistaCasal gay é agredido na Avenida PaulistaParaíba tem 12 assassinatos por homofobia em 2011.


As relações de gênero


Existe em nossa sociedade uma divisão de papéis sexuais bem demarcada. Em outras palavras, existem diferentes comportamentos associados aos homens e as mulheres. Essa divisão é baseada na suposta diferenciação entre os sexos biológicos e, portanto, pertencem a “ordem natural” das coisas.

Contudo, de natural essa diferença não tem nada, afinal, não nascemos masculino nem feminino, e sim aprendemos a sê-lo em sociedade. Esse aprendizado começa na infância (por exemplo: meninos vestem azul e meninas rosa; meninos brincam de carrinho e meninas de boneca) e conforme os indivíduos se desenvolvem, essas ideias internalizam-se, tornam-se “naturais”.

A diferença dos gêneros (masculino e feminino) orienta toda ordem sexual verificada na sociedade, na qual os homens trabalham e as mulheres cuidam da casa. Todos com papéis bem definidos. Superficialmente, as relações de gênero podem ser descritas desta forma. Não aprofundarei essa discussão nessa postagem.


As relações de gênero e a homofobia


Assim, a pergunta que se põe é: “o que as relações de gênero têm a ver com a homofobia?” A resposta é mais simples do que parece, TUDO.

A homofobia não é limitada aos homossexuais, de forma alguma. Ela afeta a todos aqueles que violam as barreiras dos papéis de gênero. Como tais casos mostram: Arquiteto é agredido na Avenida PaulistaPai e filho são agredidos após serem confundidos com homossexuais.

Desta forma, as percepções de diferenças entre homens e mulheres são tão arraigadas que elas se articulam a sexualidade de uma maneira automática. Temos concepções “precisas” do que são características masculinas e feminas. Dito de outra forma, é (quase) impossível pensar em um homem cabelereiro heterossexual ou uma mulher mecânica heterossexual, levando em que estas profissões são percebidas como feminina e masculina, respectivamente, a partir do momento em que seus ocupantes não correspondem a expectativa da sociedade, são imediatamente classificados como homossexuais, mesmo que não o sejam.

Com isto, fica evidente o machismo presente por trás das manifestações de violência homofóbica. Fica claro também o quão preconceituosas são essas atitudes ao supor valores e comportamentos a partir de alguns signos.

Até quando teremos que conviver com isso? Até quando deixaremos de evoluir como seres humanos e ficaremos presos a estereótipos esgotados? Até quando o sangue de pessoas que buscam viver de forma digna será derramado?

Precisamos rever nossos conceitos e eliminar os preconceitos, só assim poderemos viver em igualdade.





REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

BORRILLO, Daniel. Homofobia – história e crítica de um preconceito. Belo Horizonte: Autêntica, 2010, 142 p.

RIOS, Roger Raupp; PIOVESAN, Flávia. “A discriminação por gênero e por orientação sexual”. Cadernos do CEJ. Brasília: vol. 24, 2011, pp. 154-175.

SEFFNER, Fernando. “Identidade de Gênero, Orientação Sexual e Vulnerabilidade Social: pensando algumas situações brasileiras”. In: VENTURI, Gustavo; BOKANY, Vilma. (orgs.) Diversidade Sexual e Homofobia no Brasil. São Paulo: Perseu Abramo/Instituto Rosa Luxemburg Stiftung, 2011, pp. 39-50.

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