João Silvério Trevisan começa um dos capítulos de sua magnífica obra com a seguinte frase: "A cada vez que alguém sente o apelo da diferença em seu desejo, provavelmente terá que vencer séculos de repressão, para chegar ao epicentro do seu eu". Em outras palavras, não é incomum que a percepção de uma sexualidade desviante seja acompanhada por um medo indescritível.
Isso é verdade, quantos gays, lésbicas, bissexuais, travestis e transexuais não sentem medo por expressar sua afetividade? Os longos anos de repressão absurda contribuem para isso. O discurso da homossexualidade como algo errado é tão forte que afeta até mesmo aqueles que se expressam sexualmente desta forma.
Assim, temos o fenômeno da homofobia internalizada. Não são raros os casos de jovens homossexuais que se suicidam por não suportarem a ideia de ser desviante. Não são raros os casos de pessoas que escondem sua homossexualidade ao extremo, forçando-se a levar uma vida "normal".
Nesse ponto nos perguntamos, o que é normal? Eu sou normal? Você é anormal? Em matéria de orientação sexual, todos somos normais. Nada diferencia um homossexual e de um heterossexual. Temos as mesmas capacidades físicas, intelectuais, emocionais, etc. Apesar dos esforços médicos de tentarem provar as causas genéticas da homossexualidade ( Ver postagem Por que homossexual?), nenhuma das pesquisas empreendidas conseguiram verificar nenhuma diferença, muito pelo contrário, a maioria delas somente demonstrou a igualdade entre heteros e homossexuais.
Normal e anormal são conceitos, são criações. O que é normal para você, pode não ser para outra pessoa. O que é normal no seu bairro, na sua cidade, no seu estado, pode ser incrivelmente perturbador para outros que moram em outros locais.
Então não, homossexuais não são anormais, da mesma forma que heterossexuais não são normais. Por mais que a homofobia externa seja ainda um grande perigo no Brasil, a homofobia internalizada também o é. Quando você naturaliza a ordem heteronormativa, não é preciso que outra pessoa te bata, te xingue ou te discrimine para que você se sinta menor; nesses casos, você mesmo funciona como seu opressor, agredindo a si mesmo, condenando-se a infelicidade.
Por fim, não se sinta anormal. Liberte-se dos preconceitos e busque aquilo que lhe interessa. Não se deixe engessar. Não é fácil enfrentar o mundo dos "normais", mas viver infeliz é igualmente difícil.
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